17/03/2016

Pesquisa do Ital quer avaliar conservação do mel de abelhas nativas do Brasil

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio do Grupo de Engenharia de Processos (GEPC), do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), está realizando uma pesquisa que tem como objetivo avaliar o efeito da combinação dos métodos de refrigeração e pasteurização na conservação e no tempo de vida útil do mel brasileiro produzido pelas abelhas meliponíneas. 

Atualmente, o mel produzido pelas abelhas com ferrão Apis melífera é comercializado mundialmente em larga escala, e o Brasil produz anualmente milhares de toneladas desse mel por meio da criação das abelhas africanizadas, importadas ao país no século XIX. Poucos sabem, entretanto, que as abelhas nativas do País também produzem um mel com características diferenciadas e sabor peculiar, explicou a coordenadora da pesquisa, Maria Isabel Berto.  

O estudo acrescentou que o mel brasileiro é produzido pelas abelhas meliponíneas. A meliponicultura é uma atividade ambientalmente sustentável, pois pode ser integrada ao manejo florestal e contribuir no aumento da produção agrícola. Demanda baixo investimento inicial e pode ser realizada em pequenas propriedades rurais. Permite também que o produtor mantenha outras atividades para complementar sua renda familiar. 

Existem muitas espécies dessas abelhas: Guarupú, Guaraipo, Mandaçaia, Uruçu-Amarela, Jataí, Tiúba, Mombuca, Irapuá, Tataíra, Jandaíra, Manduri, sendo que criações das cinco primeiras citadas são encontradas na região Sudeste.

O mel de abelhas sem ferrão tem um sabor diferenciado, sendo mais ácido e menos viscoso quando comparado com o mel apícola, devido ao seu maior teor de umidade. Por conter esse diferencial, o mel oriundo de abelhas nativas sem ferrão está conquistando a gastronomia e consumidores que buscam sabores exóticos.

O secretário da Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, destacou que a pesquisa auxilia o fortalecimento da ciência e tecnologia do Estado de São Paulo. “Além de contribuir com a cadeia produtiva do mel de abelhas nativas, sem ferrão, visando a obtenção de um produto seguro do ponto de vista de saúde pública, os resultados do projeto visam contribuir na elaboração de normas que regularizem a comercialização deste produto nativo em seu próprio país, o que contribui para a saudabilidade dos alimentos, como recomenda o governador Geraldo Alckmin”, destacou o secretário.

O atual Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade do Mel está direcionado ao mel de abelhas africanizadas. O trabalho realizado pelos institutos atende as diretrizes do governador Geraldo Alckmin para esta Pasta.