24/02/2016

Substâncias extraídas de sementes de urucum podem ser usadas como repelente natural

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), e do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, em conjunto com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), estão estudando o uso de substâncias extraídas de sementes de urucum como repelente ao Aedes aegypti. 

Durante a pesquisa, os cientistas separaram uma mistura das substâncias que tinham as características indicadas para um repelente, incluindo alta pressão de vapor, o que permite evaporação natural, sensibilizando o mosquito antes que ele pouse sobre a pele para a alimentação. 

Essa capacidade já era reconhecida pelos nativos e pelos caboclos que usavam extratos dessas sementes misturados a óleos, resinas, ceras e gorduras extraídas de plantas ou animais como repelentes a insetos.

A pesquisa teve início em observações anteriores quando foi realizado um estudo que visava fortalecer a coloração de gemas de ovos, acrescentando à ração de galinhas poedeiras, sementes de urucum. Nesse processo, foram observados que haviam poucas moscas nas fezes das galinhas alimentadas com sementes de urucum quando comparadas com as aves que não recebiam essa suplementação. “Aliadas a essas observações estão várias publicações científicas que indicam que extratos e sementes de urucum possuem capacidade de repelir mosquitos, incluindo o Aedes aegypti”, explicou o pesquisador da Secretaria, que atua no Ital, Paulo Carvalho.  

As substâncias separadas apresentam ainda como vantagem a ausência de pigmentos (comuns nas tradicionais receitas caseiras com sementes de urucum) e um aroma suave. A pesquisa busca agora avaliar a intensidade do efeito de repelência sobre o Aedes aegypti e sua persistência sobre a pele.

De acordo com o Secretário da Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, esta pesquisa é uma grande conquista para a sociedade brasileira e posiciona, mais uma vez, os trabalhos de pesquisa realizados no Estado de São Paulo como sendo pioneiros e essenciais para o país. “O governador Geraldo Alckmin, que é médico de formação, tem uma especial preocupação com questões de saúde pública e elogiou a contribuição do Ital e IAC para o Estado de São Paulo e Brasil”, disse.