05/02/2014

Artigo: Urgente, uma estratégia para a indústria de alimentos e bebidas no Brasil!

Artigo de Luís Madi e Raul Amaral

Em 2008, quando decidimos elaborar o Brasil Food Trends 2020, estávamos convictos de que o setor de alimentos era carente de uma visão estratégica capaz de nortear o desenvolvimento, diante das mudanças no comportamento de consumo, avanços da ciência e tecnologia, acirramento da competitividade global e graves desafios enfrentados pela sociedade nas áreas de saúde e sustentabilidade. Essa motivação nos levou a iniciar a construção de uma base estruturada de informações sobre tendências e oportunidades de inovação, para auxiliar a construção de uma visão de futuro. Durante nossas pesquisas, descobrimos então que a largada da corrida global pelo futuro já havia sido dada há alguns anos. 

Vimos que, desde 2002 a Austrália formulava sua estratégia nacional para a indústria de alimentos e bebidas, por meio de um planejamento participativo e integrado com outras áreas, com consultas públicas, debates em diferentes fóruns e diagnósticos, que subsidiaram a elaboração de um documento preliminar publicado em 2012 (National Food Plan “Green Paper”), com foco no “abastecimento alimentar sustentável, globalmente competitivo e resiliente, dando suporte ao acesso a alimentos nutritivos e saudáveis”, com horizonte de 2020/2030. 

 

Em 2005, a União Europeia criara a “European Technology Platform on Food for Life”, uma agenda estratégica para 15 anos (Strategic Research Agenda 2007-2020), prevendo aumento do investimento em PD&I, estímulo da competitividade internacional, políticas para melhoria da saúde da população e sustentabilidade da produção de alimentos, por meio de uma gestão estratégica da inovação tecnológica capaz de harmonizar necessidades sociais, necessidades dos consumidores e necessidades científicas. No mesmo ano, o Canadá publicara o estudo “Canadian Food Trends to 2020”, que deu origem a planos nacionais para melhoria do bem-estar e saúde por meio da alimentação, nutrição e produtos inovadores, da qualidade e segurança do fornecimento de alimentos, performance ambiental do sistema agrícola, entre outras. 

Reino Unido com “Food 2030”, Irlanda “Food Harvest 2020”, Chile “Agenda de Innovación y Competitividad 2010-2020”, China, Índia e diversos outros países com planos semelhantes deixaram evidente a urgência do desenvolvimento de uma estratégia nacional específica para a indústria de alimentos e bebidas no Brasil, ainda distante dos demais países que compõem o grupo de elite no comércio internacional, no que diz respeito aos avanços em produtividade e investimento em PD&I. 

O Brasil é apontado como grande candidato para se tornar o celeiro do mundo, exportando carnes, soja, suco de laranja e outras commodities, mas também tem enorme potencial para servir como supermercado global de produtos processados, fugindo da sina de ser um importador de produtos de maior valor agregado de países que dominam as tecnologias mais avançadas, produtos que serão cada vez mais demandados pela população brasileira em busca de maior variedade e melhor qualidade dos alimentos consumidos.

Nesse cenário o ITAL optou pela criação de uma plataforma de inovação tecnológica, em atividade desde 2010, para dar continuidade aos estudos sobre tendências do consumidor de alimentos, inovação e políticas públicas para a indústria de alimentos. O conhecimento acumulado até o momento fundamentará os assuntos a serem tratados nas próximas colunas.

Link: http://www.feedfood.com.br/urgente-uma-estrategia-para-a-industria-de-alimentos-e-bebidas-no-brasil/