03/10/2011

ITAL na Mídia: A ciência da boa alimentação
Instituto de Tecnologia dos Alimentos certifica qualidade e segurança do que o brasileiro come

Em Campinas no interior de São Paulo, equipes de pesquisadores passam seus dias avaliando e testando alimentos industrializados e “in natura” no prédio do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital). O órgão, vinculado ao Governo do Estado de São Paulo, realiza uma infinidade de testes e análises, para verificar as características dos produtos, seus nutrientes, resíduos e até avaliar o aparecimento de substâncias tóxicas sob as mais diferentes condições. O que poucos consumidores sabem é que o trabalho do Ital é importante para que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovem a entrada de novos produtos no mercado. “Os produtos têm que estar dentro das normas do ministério e seus componentes têm que seguir as quantidades estipuladas por ele”, explica Luis Madi, diretor do Ital. Com esse trabalho, o consumidor tem garantias de que os alimentos industrializados disponíveis nos supermercados estão dentro dos padrões de segurança alimentar. A partir da análise, um laudo é enviado para a empresa fabricante, que o anexa aos demais documentos exigidos para registrar um novo produto alimentício no Mapa. “Também pesquisamos tendências e inovações no setor. Até 2013, teremos cerca de oito lançamentos no mercado”, conta Eduardo Vicente, pesquisador científico do Ital. Pelos laboratórios do instituto passam todos os tipos de produtos, desde carnes, leites e derivados, frutas, verduras, legumes, alimentos congelados, semi-prontos, bebidas e até as embalagens. Cada grupo fica sob a responsabilidade de um dos sete centros de tecnologia submetidos ao Ital: o de carnes, cereais e chocolate, laticínios, frutas e hortaliças, engenharia e pós colheita, qualidade dos alimentos e embalagem. “É a ciência trabalhando para oferecer condições mais saudáveis para a população”, diz Madi. Análise de toxicidade Ao longo dos 48 anos de existência, o Ital vem prestando serviços à população e às empresas. Os pesquisadores também estudam as propriedades e efeitos de diversas substâncias nos alimentos. Ele cita como exemplo o furano, elemento ativado quando os grãos de café são torrados. A toxina, em grandes quantidades, pode causar problemas à saúde humana. Com as análises dos efeitos comprovadas, são estabelecidas pelos órgãos fiscalizadores as quantidades mínimas permitidas das substâncias, para que não ofereçam riscos à saúde. “Além disso, as pesquisas podem auxiliar no desenvolvimento futuro de variedades de grãos, frutas e legumes livres de toxinas”, afirma Vicente. Outra substância que vem sendo estudada em vários institutos mundo afora é a acrilamida. Ela foi encontrada em batatas fritas e produtos ricos em gorduras e os pesquisadores investigam quais os seus efeitos e as doses mínimas de ingestão. Vicente explica que para minimizar a ativação da acrilamida, o ideal é não armazenar batatas na geladeira. “As baixas temperaturas fazem com que o tubérculo produza açúcar, o que contribui para ativar a acrilamida quando a batata é frita”, esclarece. Um exemplo da importância desses estudos no cotidiano dos consumidores está em uma pesquisa desenvolvida na Unicamp nos anos 80. Os pesquisadores descobriram que ao preparar um churrasco, a gordura que derrete e pinga sobre o carvão em chamas se transforma em fumaça que libera substâncias contaminantes, que podem voltar para a carne caso ela esteja muito próxima da brasa. “A partir dessa conclusão, as empresas mudaram o design das churrasqueiras, para que o carvão passasse a ficar a uma distância segura da carne, sem comprometer o churrasco”, diz Vicente. Mas ele alerta que é preciso cautela na hora de atribuir problemas de saúde única e exclusivamente a um produto ou substância. “Existem vários fatores que podem causar um ataque cardíaco ou um câncer”. Por isso, ele afirma que o ideal é que a alimentação das pessoas seja o mais diversificada possível. Para Madi, desenvolver estudos e pesquisas sobre a qualidade e segurança dos alimentos é fundamental para o Brasil, no momento em que o mundo volta os olhos para a importância da produção agrícola brasileira. “Com investimento em pesquisa, evitamos a incidência de barreiras na hora de exportar e garantimos a procedência e qualidade dos alimentos que produzimos”, conclui. Texto: Juliana Ribeiro Portal Sou Agro: http://souagro.com.br/a-ciencia-da-boa-alimentacao